Nesta semana o céu junta dois. Depois de um longo trânsito pelas águas de Caranguejo, o Sol atravessa o limiar e, a 22 de julho, entra em Leão — a sua própria casa. A luz que andava hóspede no domicílio da Lua regressa ao lar, e não chega sozinha: ali, no começo de Leão, espera-a Júpiter. É um reencontro caloroso — o coração vem a casa e é recebido com abundância. Se as semanas passadas nos pediam recolhimento e memória, esta abre a porta para fora e para a frente: o brilho que aquecia por dentro pode agora mostrar-se, dar-se, escolher.
E a mente, que esteve na forja, liberta-se. Mercúrio — o astro do pensamento e da palavra — passou duas semanas retrógrado e queimado junto ao Sol, voltado para dentro. A 23 de julho estaciona e retoma o passo directo, ao mesmo tempo que se vai afastando do clarão que o toldava. O entendimento clareia. Aquilo que ficou por dizer, por rever, por decidir, pode enfim ser posto em palavras e seguir em frente. Não de repente — Mercúrio ainda anda lento e perto do Sol —, mas a maré vira: fecha-se o tempo de refazer em silêncio e abre-se o de escolher em voz clara.
No centro da semana está um velho par que se atrai e resiste. Vénus, em Virgem, ama pelo cuidado e pelo pormenor — pela pequena coisa bem-feita, pela atenção que não se anuncia; e Marte, em Gémeos, é a mente inquieta, o gesto rápido, a vontade que se dispersa em muitas direções. Entre eles arma-se uma tensão — a quadratura que puxa um contra o outro. É a imagem própria destes dias: dois que se procuram e precisam de se ajustar para se encontrarem; o desejo e o afeto a negociar; a atração que só se cumpre quando passa pelo crivo do discernimento. Porque encontrar-se de verdade não é ceder ao ímpeto nem à comodidade — é escolher, e escolher a partir daquilo que se ama e se estima, não do que apenas apetece ou do que se teme perder.
Com a mente de novo clara e o coração em casa, a semana coloca-nos diante de encruzilhadas. E a bússola, nestes dias, não é a esperteza nem a pressa: é o valor a que damos o coração. Mercúrio, ainda que devagar, estende a mão a Vénus num sextil ameno — a palavra honesta que reconcilia, a conversa que junta o que a distância afastou. Onde houver uma escolha entre dois caminhos, ou dois que hesitam entre o encontro e o afastamento, o que decide bem não é o cálculo frio, mas a fidelidade àquilo que se preza.
Por baixo deste calor há, porém, um peso que pede ponderação. Saturno, em Carneiro, abranda até parar e, a 26 de julho, recua — estaciona retrógrado. É o convite a rever os alicerces: todo o vínculo, toda a promessa, toda a escolha tem fundações que convém olhar antes de as firmar. O afeto que dura é o que atravessa a prova da seriedade; a união que se mantém é a que se assenta em terreno examinado, não em areia de entusiasmo. Saturno não gela o coração — pede-lhe apenas que se comprometa com os olhos abertos.
O mesmo se lê, por estes dias, no palco do mundo. Passado o espetáculo do verão, as nações voltam à mesa: alianças que se pesam, negociações que recomeçam, caminhos que se decidem entre dois. E aí vale a mesma verdade deste tom — o que une de forma duradoura não é o que se ajusta por conveniência ou medo, mas o que se escolhe por aquilo que verdadeiramente se valoriza. Os astros, contudo, não obrigam — inclinam. No fundo, a semana devolve-nos a uma pergunta: que escolha nos espera por estes dias que peça ser feita não pela pressa nem pelo receio, mas pelo coração — que encontro, que reconciliação, que vínculo nos pede menos cálculo e mais fidelidade àquilo que amamos?
ALMUTEM



