Grau 1 · Lição 6 de 12

O ascendente e os quatro ângulos

Se tivesses de escolher um só ponto da carta, a tradição escolheria por ti: o ascendente. Não o Sol. O signo solar, o que se lê nos jornais, diz em que altura do ano nasceste. O ascendente diz em que minuto do dia, e em que lugar da Terra. É o que faz a tua carta ser tua e não de toda a gente que nasceu no mesmo mês.

O grau que nasce

Na lição 1 viste de onde vem: é o grau do zodíaco que estava a subir no horizonte a oriente no instante em que nasceste. Os gregos chamavam-lhe simplesmente a Hora, porque marcava a hora do nascimento com mais precisão do que qualquer relógio da época.

Como o céu dá uma volta inteira em vinte e quatro horas, cada signo leva em média duas horas a passar pelo horizonte. Na lição 3 viste que uns demoram muito mais do que outros. O grau exacto muda de quatro em quatro minutos. Por isso duas pessoas nascidas no mesmo dia, na mesma cidade, com uma hora de diferença, têm cartas parecidas nos planetas e diferentes em quase tudo o resto.

O ascendente é também a primeira casa. Tudo o que se conta nas casas conta-se a partir dele. Se ele mudar, mudam todas.

O que o ascendente significa

A tradição lê na primeira casa a própria pessoa: a vida, o corpo, a saúde, o feitio, a maneira de se apresentar e de começar as coisas. O signo que lá está dá o tom a tudo isto.

Os autores antigos descreviam até o aspecto físico pelo signo do ascendente e pelo planeta que o rege: alto ou baixo, magro ou robusto, de pele clara ou morena. Hoje isso lê-se com cautela, porque a herança e o mundo moderno pesam muito, mas a ideia de fundo fica: o ascendente é o corpo e a primeira impressão. O Sol é o que se é por dentro; o ascendente é o que se mostra ao entrar numa sala.

O senhor do ascendente

O planeta que rege o signo do ascendente chama-se o senhor do ascendente, e é talvez o planeta mais importante da tua carta. Representa-te a ti. Onde ele está, é para lá que a tua vida corre.

Na lição 5 procuraste em que casa ele caiu. Agora sabes porquê: um senhor do ascendente na X põe a vida virada para a profissão e o nome; na VII, para os outros e as parcerias; na XII, para o que é escondido e solitário. O estado em que ele está, que vais aprender a medir na lição 8, diz com que facilidade a pessoa consegue o que procura. É o mesmo raciocínio de qualquer regente, aplicado ao mais importante de todos.

Se houver um planeta no próprio ascendente, a poucos graus dele, esse planeta também te descreve, e muitas vezes salta à vista mais do que o senhor. Saturno lá dá seriedade e reserva; Júpiter, uma presença larga e confiante; Marte, pressa e frontalidade.

As quatro portas do céu

O ascendente é o primeiro de quatro pontos fortes, os ângulos. Os outros três são o Meio do Céu, o descendente e o Fundo do Céu. Os antigos chamavam-lhes os centros ou as portas da carta, porque é por eles que as coisas entram e se mostram.

ÂnguloOndeO que guarda
Ascendente (I)horizonte a orientea vida, o corpo, o começo
Meio do Céu (X)o ponto mais altoa acção, a profissão, a honra, o que todos vêem
Descendente (VII)horizonte a ocidenteos outros: o cônjuge, os sócios, os adversários
Fundo do Céu (IV)o ponto mais baixoas raízes, a casa, os pais, o fim das coisas

Lê-os como um dia: o ascendente é o nascer do sol, o Meio do Céu o meio-dia, o descendente o pôr do sol e o Fundo do Céu a meia-noite. Um planeta perto de um ângulo é como um actor no centro do palco. Lembra-te da lição anterior: uma casa angular é a mais forte de todas.

Por cima e por baixo, nascente e poente

O horizonte divide a carta em duas metades. Os planetas por cima do horizonte estavam visíveis no céu quando nasceste, se fosse noite: são os assuntos que se mostram, que acontecem à vista dos outros. Os planetas por baixo estavam escondidos debaixo da Terra: trabalham mais em privado, por dentro.

O meridiano divide-a noutras duas. A metade do nascente, do lado do ascendente, é a dos planetas que estão a subir: agem cedo, depressa, por iniciativa própria. A metade do poente, do lado do descendente, é a dos que estão a descer: agem mais tarde, em resposta aos outros.

Não são regras para decorar. São maneiras de olhar para a roda inteira de relance antes de ler um planeta de cada vez.

O Meio do Céu nem sempre está na décima

Isto confunde muita gente, por isso fica dito já. No sistema de Signos Inteiros, a décima casa é o décimo signo a contar do ascendente, sempre. Mas o Meio do Céu, o ponto real mais alto, depende da latitude e da hora, e pode cair no nono ou no décimo primeiro signo.

Quando isso acontece não há erro nenhum. A tradição lê as duas coisas: a décima casa como a casa da profissão, e o Meio do Céu como um ponto forte por onde quer que caia. Nos sistemas de quadrante, como o Alcabitius que a tua carta usa por omissão, o Meio do Céu é sempre a cúspide da décima, e o problema não aparece.

Se a hora estiver errada

Como o ascendente muda de grau de quatro em quatro minutos, uma hora de nascimento arredondada «para as dez e meia» pode mover os ângulos vários graus. Na maior parte dos casos não muda o signo, mas perto do fim de um signo muda, e com ele todas as casas.

Se o teu ascendente está nos primeiros ou nos últimos graus de um signo, desconfia um pouco. Confirma a hora numa certidão ou num registo do hospital, se puderes. E se o resultado não te disser nada, experimenta ler o signo vizinho e vê qual descreve melhor o teu corpo e o teu feitio. Os astrólogos antigos faziam isto mesmo, com métodos próprios, para acertar horas incertas.

Exercício — o teu ascendente

Abre a tua carta.

  1. Escreve o signo e o grau do teu ascendente. Está no início, no meio ou no fim do signo?
  2. Encontra o senhor do ascendente e a casa onde está. Escreve numa frase para onde «corre» a tua vida segundo essa casa.
  3. Há algum planeta a menos de cinco graus de um dos quatro ângulos? Qual, e em que ângulo?
  4. Conta quantos dos sete planetas estão por cima do horizonte (casas VII a XII) e quantos por baixo (casas I a VI). A tua carta é mais virada para fora ou para dentro?
Calcular o teu mapa →

Quiz — 6 perguntas

1. Os gregos chamavam ao ascendente:
2. O senhor do ascendente é:
3. O Meio do Céu corresponde, no dia, a:
4. O descendente é o ângulo:
5. Os planetas por baixo do horizonte:
6. No sistema de Signos Inteiros, o Meio do Céu:
faltam 6