Grau 1 · Lição 7 de 12

Os cinco aspectos

Até aqui cada planeta esteve sozinho — uma natureza, num signo, numa casa. Agora encontram-se.

Um aspeto é uma relação de vista. Dois corpos em certos ângulos veem-se um ao outro, pela luz que emitem ou reflectem, e onde há vista há comunicação entre os assuntos que ambos significam. Onde não há, os dois assuntos ficam estranhos um ao outro naquela carta, por mais que se esperasse o contrário.

É a primeira coisa a levar desta lição, e sobrevive a todo o resto: os aspetos dizem como, não o quê. São adjectivais. Um planeta na décima casa significa a tua profissão; um aspeto não lhe acrescenta uma segunda profissão — descreve a maneira como aquela decorre. Leem-se em último lugar, como a lição 12 vai fazer.

Porque são exactamente cinco

Fírmico dá a definição limpa: aspeto é qualquer arco que, multiplicado por dois, três, quatro ou seis, complete o círculo. Isso isola precisamente cinco ângulos e mais nenhum.

☌0°⚹60°□90°△120°☍180°
As cinco distâncias que contam, medidas sempre a partir de um mesmo ponto do zodíaco.
AspetoÂngulo exactoSignos de distânciaNatureza
Conjunção0°0depende dos planetas
Sextil60°2harmonioso
Quadratura90°3dissonante
Trígono120°4harmonioso
Oposição180°6dissonante

Aqui vem a parte que costuma ficar de fora, e é a que faz os cinco terem sentido. A harmonia ou a dificuldade não vive no ângulo. Vem da relação entre os signos onde os planetas caem — que já conheces da lição 3.

  • Trígono — quatro signos de distância: mesmo elemento, mesma temperatura. Dois planetas de acordo fácil quanto ao essencial. Fluido, estável, cordial.
  • Sextil — dois signos: mesma temperatura, elemento e modo diferentes. Cooperação, mas com algum trabalho para chegar a acordo. Menos automático que o trígono.
  • Quadratura — três signos: mesmo modo, temperaturas contrárias. Dois planetas com a mesma maneira de se mover e naturezas opostas. Atrito, teimosia, conflito interno.
  • Oposição — seis signos: signos frente a frente, naturezas em confronto. O mais tenso e o mais visível.
  • Conjunção — o mesmo signo, o mesmo sítio. Não é vista de longe mas contacto por corpo, duas naturezas fundidas. Se é boa ou má depende inteiramente de que dois planetas são, e de qual deles está mais forte naquele signo — o que estiver no próprio domicílio domina e dispõe o outro. Há autores que, por isto mesmo, se recusam a contá-la como aspeto.

Repara no que se segue: a bondade ou maldade de um aspeto nunca é abstracta. Dois maléficos em trígono estão de acordo — sobre uma coisa difícil.

Aversão: os signos que não se veem

Se dois signos não partilham qualidade primária, género nem modo, não fazem aspeto nenhum. Estão em aversão — as distâncias de um signo (30°) e de cinco signos (150°).

Não é um aspeto fraco. É a ausência de um. Os dois assuntos não têm canal um para o outro naquela carta.

Contadas do ascendente, as casas em aversão a ele são a segunda, a sexta, a oitava e a décima segunda — uma das razões por que a tradição as trata como as menos capazes de se exprimir. São as partes da vida que a própria pessoa não vê com facilidade.

O orbe é do planeta

Aqui a convenção moderna e a tradição separam-se, e esta escola segue a tradição.

O orbe não é propriedade do aspeto. É propriedade do planeta — um raio de influência que o corpo leva consigo, igual para todos os aspetos que faça. Um corpo brilhante, lento e grande tem-no largo; um pequeno e rápido tem-no estreito.

PlanetaOrbe
Sol15°
Lua12°
Saturno9°
Júpiter9°
Marte8°
Vénus7°
Mercúrio7°

Portanto «dentro do orbe» é uma pergunta sobre os dois corpos, não sobre o ângulo entre eles. Na tua carta, um aspeto é admitido quando o desvio ao exacto cabe no maior dos dois orbes. Uma quadratura Sol-Mercúrio a oito graus do exacto é um aspeto real, porque o Sol alcança essa distância. Dois planetas de orbe estreito à mesma distância não estão em aspeto nenhum.

Pontos sem corpo próprio — o ascendente, o Meio do Céu, os nodos, as partes — não têm orbe. Podem ser aspetados, dentro do orbe do planeta que os alcança, mas não alcançam ninguém. Na matriz de aspetos encontras, por isso, contactos de corpo a corpo; os ângulos tratam-se à parte, como pergunta própria.

Aplicando, separando, partílico

Dois planetas a velocidades diferentes estão sempre ou a fechar um aspeto exacto ou a afastar-se de um.

  • Aplicando — o planeta mais rápido ainda se aproxima do exacto. O assunto está por concluir, a caminho, em força.
  • Separando — o exacto já passou. O assunto está feito, atrás, gasto.
  • Partílico — exacto, ou no mesmo grau de longitude. A forma mais forte que há.

A distinção não é preciosismo. Uma quadratura a aplicar e uma a separar descrevem situações diferentes, e a tradição pesa muito mais a que aplica.

Exercício — ler a tua matriz

Abre a tua carta e encontra a matriz de aspetos.

  1. Encontra o teu aspeto mais apertado — o de menor distância ao exacto. Que dois planetas, e qual dos cinco? Há algum partílico, no mesmo grau?
  2. Pega no regente do teu ascendente (lição 3, e já lhe encontraste a casa na lição 5). Que planetas o aspetam, e por que aspetos? São estas as influências que alcançam aquilo à volta do qual a tua carta se organiza.
  3. Encontra um planeta sem aspetos nenhuns, se tiveres um. Não está calado — continua a reger os seus signos e a ocupar a sua casa —, mas trabalha sem consultar ninguém.
  4. Confere os orbes. Encontra um aspeto com o Sol ou com a Lua que seja largo — seis graus ou mais do exacto — e confirma por ti que a mesma distância entre, digamos, Vénus e Mercúrio não teria sequer aparecido. É o orbe do planeta a fazer o seu trabalho.
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Quiz — 5 perguntas

1. Um aspeto entre dois planetas quer dizer que:
2. A natureza dissonante da quadratura vem:
3. Dois signos a um signo de distância (30°) estão:
4. Nesta tradição, o orbe pertence:
5. Um aspeto aplicativo é aquele em que:
faltam 5